quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Um Pouco de Leveza

Há alguns dias atrás fui “intimado” pelo médico a emagrecer. O exame que fiz acusou uma alteração no fígado (excesso de gordura), o que me “obriga” a perder por volta de vinte quilos. Ao ouvir o diagnóstico, pensei no ‘peso’ das suas palavras que imediatamente causou-me um ‘peso’ no coração e na consciência. Ao mesmo tempo comecei a pensar como deixamos a vida ‘pesada’, não somente pelo excesso de ‘peso’ do corpo, mas pelo ‘peso’ que lançamos sobre ela (vida). Não pude deixar de refletir o quanto é necessário um pouco de leveza!

Diariamente busco meus filhos na escola. Primeiro pego o Júnior em uma escola de educação infantil e em seguida busco o Abner em outra escola, de ensino fundamental. Ambas são escolas municipais. Os assuntos com eles são diversificados, mas quase sempre se repetem: o gol sofrido na hora do recreio, as brincadeiras, as novas descobertas em sala de aula, uma fofoquinha sobre os amigos, o humor dos professores etc.

É muito interessante observar todas as crianças na saída. Eu não sei se a alegria é a mesma ao entrar e iniciar a aula, mas é bem perceptível e até estampado nos olhinhos infantis a alegria de voltar para casa. Há aquelas crianças, cuja situação social é bem precária, que usam chinelos de dedo e roupas bem ‘batidas’, mas apesar disso, não sorriem menos que as outras. Há também aquelas que são recebidas pelo pai ou pela mãe logo ao sair pelo portão. Nos poucos momentos que observo as crianças na saída da escola, sinto o quanto é bom participar deles. Parece que a vida fica mais leve com as crianças, talvez porque elas ‘têm cheiro de Deus’.

Assim também é na igreja. Como as crianças alegram o ambiente! É claro que às vezes são bem agitadas, mas é lindo vê-las se desenvolvendo. Com criança a gente conversa muita coisa, de dinossauros a oração. Outro dia, brincando de futebol com o Juninho, ele tomava gol de propósito só para comemorar comigo. O pior é que ele fazia questão de perder para comemorar minha vitória. Que coisa fantástica! Quem gosta de perder para comemorar com seu “adversário”? Somente quem prefere a alegria do abraço ao invés do sabor da conquista. Atitudes assim são capazes de ‘tornar leve’ um mundo tão competitivo e de sentimentos religiosos tão triunfalistas. Talvez o que todos precisamos é um pouco de leveza. Que tal aprendermos com as crianças?!

Claudinei Fernandes

9 comentários:

  1. Com certeza vou ficar com essa frase na cabeça por um bom tempo. Muito interessante "Criança tem cheiro de Deus"

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  2. melhor defininção do amor de deus . valeu Diretor. Abraços Antonino

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  3. É gordinho, é preciso leveza (rsrs). Lendo este texto lembrei-me daquela passagem em que Jesus diz que seu fardo é leve. Hoje presenciamos um cristianismo moralista e ético (culpa de Paulo) e ignoramos a leveza do seguimento de Jesus. Belo texto.

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  4. Amei Pr., suas palavras como sempre edificam!
    Um abraço
    Mari.

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  5. Não pude deixar de me emocionar ao ler o seu texto, Claudinei. Por dois motivos: primeiro porque também sinto o peso dos quilinhos excedentes. Ai do meu e do seu fígado! Segundo porque também sinto esse 'cheiro de Deus' nas crianças. Cultivo demais as memórias da minha infância por conta disso. E aproveito as brincadeiras com os meus sobrinhos também por conta disto. Obrigado por me ajudar a traduzir em palavras essa sensação tão gostosa. Abraço.

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  6. Poxa Claudinei. Vc me privou tanto tempo de seus textos? O Joel me passou este "Um pouco de leveza", e me edificou demais. Obrigado pelo que vc escreve...Vou me deleitar agora, porque sou um amante do escrever.
    Se quiser arriscar e ler alguns meus acesse: www.racantodasletras.uol.com.br e procure pelo autor Rick Medeiros.
    veleu parceiro de "escrevimento" rsrsrs vc é 10!

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  7. Este comentário foi removido pelo autor.

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  8. Eis aquelas mensagens que nos tocam na arpa de nossas emoções. Antes, que coisa maluca, eu pensava que deveriamos ser racionais para evitar o sofrimento. Por causa disso, acabei entrando em crise e minha suposta força foi abalada. Pessoas devem ser sentidas. A razão so deve estar presente na confecção de projetos que ajudem a pessoa do outro lado da ponte. Tive contato com um texto, na versao em ingles, que comentava sobre a fome do mundo. A tematica do autor era que os paises ricos deveriam criar pontes para ajudar os paises menos favorecidos, e naõ somente ajudar em tempos de desgraça. Tem gente que não olha o cotidiano. Acaba perdendo a grandeza de viver.
    Deixo um poema meu de 4 anos atras...

    ESTADIA

    Alguns seres ferozes esbravejam
    durante a estadia do sol.
    Aparencia como duas maças no pomar apos a colheita.

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  9. Obrigado pelo comentário, Fábio. Valeu!!

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